Destaque

7 3752 | Linha 675K-10 – Jardim Ângela x Metrô Santa Cruz

 VIP Transportes

Quem viveu a Área 7 no começo da década de 2010 sabe: teve uma época em que o bicho pegava de verdade. E o 7 3752 nasceu exatamente nesse cenário. Não foi carro de vitrine, não foi “queridinho de foto”, mas foi linha de frente num dos períodos mais puxados da história recente da zona sul.

Esse carro é daqueles que contam história só de olhar: articulado de piso baixo, presença constante em linha lotada e com cara de quem já saiu de muita garagem sabendo que ia sofrer até o último ponto.

Ônibus articulado VIP prefixo 7 3752 operando na linha 675K-10 Terminal Jardim Ângela x Metrô Santa Cruz em período de alta demanda da Área 7
Créditos: Profissão Motorista 10 (Facebook)

Quando ele chegou, não tinha conversa

Em 2010, a VIP trouxe 10 unidades desse modelo muito mais por obrigação do que por vontade. A SPTrans exigia piso baixo, e a região simplesmente explodiu em demanda depois de uma série de cortes que deixaram o passageiro sem opção.

Linhas como 695J e 674A saíram de cena e jogaram praticamente tudo no colo do 675K e do 637A. Só essas duas linhas somavam quase 1 milhão de passageiros por mês. Era gente demais, ônibus de menos e pouco espaço pra erro.

O 7 3752 chegou pra isso: aguentar pancada. Não era carro pra rodar suave, era pra fechar porta cheio e seguir viagem.

Rodava onde precisava, não onde era bonito

Apesar de muita gente associar o carro direto ao 675K, ele não ficou preso a uma linha só. Rodou bastante pela 637A, fez muito 675K e, já no fim da vida, apareceu pela 737A. De vez em quando ainda dava as caras na 677A, quando a operação apertava.

Era aquele carro que você sabia que não ia faltar. Não tinha estrelismo, tinha escala.

A virada de chave em 2013

Em 2013, a VIP entrou na era dos superarticulados. Aí o jogo mudou.
Carro maior, mais capacidade… e o 7 3752 começou a perder espaço.

O problema não era desempenho em linha, era manutenção. Articulado “convencional” custa caro pra manter, ainda mais rodando pesado todo dia. Mesmo assim, diferente de muito carro que some rápido, esse aqui cumpriu o ciclo inteiro.

Dos 10, só o 7 3754 acabou baixado antes, com 7 anos de uso. O resto, incluindo o 3752, segurou até completar 10 anos de operação, coisa cada vez mais rara.

A realidade da Área 7 (quem viveu, sabe)

O auge absoluto da Área 7 foi em 2014. Não só o 675K, mas várias linhas bateram cerca de 1 milhão e 200 mil passageiros mensais. Era surreal. Terminal Ângela parecia rodoviária em feriado prolongado.

Hoje, a demanda gira em torno de 850 a 900 mil passageiros por mês, o que ainda é coisa pra caramba.
A inauguração das estações da Linha 5–Lilás em 2018 puxou bastante gente pro trilho, mas o 675K não foi tão massacrado quanto linhas como 675L e 695T.

E quando (ou se) o Metrô chegar de vez ao Jardim Ângela, é óbvio que vai perder passageiro. Mas, sinceramente?
Essa linha ainda vai continuar cheia. A região não perdoa.

Visão de quem conhece

O 7 3752 não foi o melhor, não foi o pior. Foi necessário.
Cumpriu papel num momento crítico, rodou onde precisava, sofreu o que tinha que sofrer e saiu com dignidade.

Esse tipo de carro não vira lenda de Instagram, mas vira memória de quem estava lá, seja no volante ou pendurado no balaústre às 6h da manhã.

E isso, pra quem entende a importância da operação, vale muito.

Leitura: --

Comentários