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Suzantur 03-012: um ex-Oak que marcou o começo do caos organizado em Mauá

Ônibus Granvia Volvo Suzantur 03-012 ex-Oak Tree operando em Mauá no início da concessão
Créditos: Bruno Gomes

Quando a Suzantur desembarcou em Mauá, não chegou chegando com frota nova, alinhada e padronizada. Chegou do jeito que dava. E o 03-012 é praticamente um retrato fiel desse começo meio improvisado, meio “vamos ver no que dá”.

Esse carro aí é daqueles que já rodaram mais que notícia ruim: ex-Oak Tree 8 3978, depois passou pela Viação Riacho Grande como 2054, até cair no colo da Suzantur. E caiu bem no meio da fase em que Mauá virou um verdadeiro festival de ônibus ex-alguma-coisa.


A era do “Ex de tudo” em Mauá

Quem acompanhou sabe: era ex-Oak, ex-Via Sul, ex-Rio, ex-Estrela de Mauá, tudo junto e misturado. Parecia um “De Férias com o Ex”, só que versão ônibus urbano. Cada semana aparecia um carro diferente, vindo sabe-se lá de onde, só pra segurar a operação.

E não era só estética não. Tinha carro que simplesmente não dava conta da topografia, principalmente ali pro lado do Zairão. Ladeira sinuosa, pesada, e alguns desses ex-tudo sofriam feio. Não era questão de motorista, era limitação mecânica mesmo. Quem rodou sabe do que eu tô falando.


Granvia Volvo ainda laranja: o improviso visível

Esse Granvia Volvo, assim como vários Apache ex-Oak, começou a operar ainda com pintura padrão SP, mantendo o laranja. Aquilo deixava bem claro que a prioridade não era visual, era botar o carro pra rodar.

Não era bonito, não era padronizado, mas andava. E naquele momento, era isso que importava. A cidade precisava de ônibus rodando, não de frota instagramável.

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Contexto da operação (e as entrelinhas)

Na época, rolavam muitos comentários de bastidor. Falava-se que a Leblon já vinha sendo “observada” fazia um tempo, tanto que um ano antes colocaram a Estrela de Mauá no jogo, aparentemente pra pressionar a operação. Se era estratégia ou só confusão administrativa, difícil afirmar.

Depois vieram os relatórios de invasão no sistema de bilhetagem, que na época pareciam bem consistentes, a ponto de gerar desconfiança real. Ao mesmo tempo, também é verdade que a operação da Leblon não era perfeita, tinha falhas e problemas.

Mas, sendo bem honesto: comparada ao que se viu depois, ela ainda estava alguns degraus acima da operação do Baltazar. Se tivesse havido uma transição melhor organizada, talvez Mauá tivesse vivido um cenário menos turbulento naquele período.


O 03-012 no meio disso tudo

O 03-012 não foi o melhor ônibus do mundo, não foi referência técnica, mas esteve presente num momento-chave. Ajudou a segurar a bronca numa fase em que a prioridade era simples: não deixar o passageiro na mão.

E esse tipo de carro acaba ficando marcado não pela ficha técnica, mas pelo contexto. Quem viu rodar, sabe exatamente do que ele representa.

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